Uma investigação em Santa Catarina revelou que cerca de 50 milhões de abelhas morreram envenenadas por agrotóxicos. Os testes mostraram que a principal causa foi o uso do inseticida fipronil, usado em lavouras de soja na região.
Santa Catarina é o maior exportador de mel do Brasil e tem 99% de sua produção certificada como orgânica. Ao inspecionar seus apiários, em janeiro, produtores do Planalto Norte onde as florestas nativas vêm perdendo espaço para o eucalipto encontraram as abelhas dizimadas.
Os exames encontraram três agrotóxicos: o fungicida trifloxistrobina, o inseticida triflumuron, ambos fabricados pela Bayer, e, em maior quantidade, o inseticida fipronil. As duas empresas afirmam que seus produtos, se utilizados conforme as orientações, são seguros para o meio ambiente. A Cidasc não responsabilizou nenhum produtor e considerou que a contaminação foi acidental.
"O impacto desses agrotóxicos é que eles são letais para as abelhas, agem diretamente no sistema nervoso central. As que não morrem durante o voo retornam adoecidas e contaminam toda a colmeia", explica o agrônomo professor da UFSC.
Nos últimos três anos, foram liberados 1.587 agrotóxicos no país. De acordo com a Anvisa, 40% dessas substâncias estão classificadas como extremamente ou altamente tóxicas.
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